Os Pais No Armário

28 de outubro de 2018

Texto de Luiz Correa

 

Vivemos em uma sociedade onde todos precisamos nos encaixar em algum lugar, para sermos aceitos. Precisamos estar dentro das regras das comunidades que queremos estar para sermos parte dela, qualquer desvio ou conduta que não condiz com o lugar ou a comunidade em que estamos, somos logo visto como diferente e muitas vezes problemáticas.

Nossa primeira comunidade ao qual fazemos parte ao nascermos é a nossa família. Todos ficam apreensivos com a chegada desse novo membro na família, muitas vezes resultam do nascimento para saber qual o sexo da criança, ou muitas vezes eles antecipam este anuncio para já começar programar antes mesmo do nascimento todas as rotas que aquele novo ser deve seguir.

Os pais começar a programar o futuro de seus filhos de acordo com o sexo, criam esperanças, expectativas, seus sonhos são todos direcionados para aquele novo membro da comunidade e claro que os pais originários que tudo aquilo sejam cumprido a risca, sem desvios ou barreiras .

Como é bom poder ter uma família que nos direciona e nosso guia em nosso início de vida na terra, eles são experientes e com certeza sabem que estão fazendo e que estão fazendo o seu melhor para seus filhos e filhas.

Para os pais é uma alegria imensa ver seus filhos e filhas seguindo uma risca todo o traçado de vida que eles sempre sonharam aos seus. Os filhos e filhas devem estudar, ter uma boa profissão e não podem deixar de casar e constituir suas famílias. As filhas serem boas esposas e mãe e cuidar do lar da família. Os Filhos terem uma boa profissão, para terem um bom emprego para poder dar sustento a sua família. Tudo tão correto, com um enredo escrito a quatro mãos que não tem como dar errado.

E quando tudo isso sai do controle e quando tudo isso foi sonhado para os filhos e filhas não se concretiza, o que fazer? Como reagir a algo que não era esperado?

Quando aqueles que você prepara um seu modo para o mundo e a sociedade em que vive, simplesmente é diferente do que foi planejado. Quando um filho se diz gay, lésbica ou simplesmente não se adéqua aquele padrão social em que está inserido?

O mundo desmorona sobre a cabeça dos pais, que não sabe como agir e reagir, porque não tinha um plano B, para a vida de seus filhos e filhas. Como eles podem viver na sociedade em questão, que irão julgá-los, por não serem bons pais, não serem pessoas capazes de criar os seus filhos e filhas próprios.

Quando seus filhos e filhas saem do armário, para os pais isso é algo muito difícil de ser administrado, pois para eles sexo existe somente dois e que eles não devem ser entre os mesmos, mas sim entre os opostos. E todos os sonhos e luta que eles tiveram para criar, educar e muitas vezes e os exemplos que eles tinham em casa, como tudo isso se perdeu.

São muitos sonhos que estão em jogo. A pessoa que sai do armário ela quer correr atrás dos seus sonhos, ser quem ela é, se descobrir na sociedade em que viver o seu eu verdadeiro e não viver os sonhos dos outros.

É preciso ter paciência e saber que para os pais esta informação não é simplesmente virar um botão e tudo estará bem. Todos os sonhos e projetos de vida que eles planejaram, não vão se concretizar, eles se sentem inferiores aos outros, tem vergonha, medo do incerto e desconhecido. Precisamos ter paciência e amor por eles e compreender o momento de suas vidas, muitos pais não entendem logo no inicio, o que traz dor e sofrimento para ambos os lados, sim os pais também prepare, pois seus filhos e filhas estão começando a trilhar um caminho que para eles é desconhecido, muitas vezes os sentimentos eles vêm de muitas maneiras, dor, angustia, sofrimento, rejeição ao outro, vergonha, medo e muitos outros sentimentos.

Assim como para nós LGBT foi difícil sair do armário, precisamos entender nossos entes queridos, ajudá-los a entender que sim os sonhos foram por sua maior parte cumprido com sucesso, pois temos o caráter, a educação e porque não a família, claro que não como ele sonhou, mas você pode ter a nossa família dos sonhos.

Não podemos deixar que os nossos entes queridos, ocupem o nosso lugar no armário, temos nós, como de conhecimento-los a entender este processo, precisamos ter paciência e saber que eles assim como nós temos o nosso tempo de nos aceitar, eles devemos o tempo deles para entender que a vida, ela continua a mesma e de se aceitar como parte das nossas vidas.

 

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